Eis o comentário do nosso amigo Luís Araújo (presidente da SOS Habitat, que se tem batido contra as demolições ilegais e violações do direito à terra e à habitação), a propósito da notícia «Zungueiras espacam fiscal no São Paulo», publicada pelo semanário A Capital e pelo Angonoticias:
«A violência não gera libertação, mas apenas novas tiranias, tantos que aqui convocam a violência não sabem que estão a produzir uma nova dominação por quem for mais manhoso e bárbaro se que com essas "qualidades" pode ser vencedor na barbárie que convocam. Haja calma, o injusto terá sempre o seu fim, também o injusto que em nome da justiça disfarça inveja e a sua ânsia de poder absoluto.
A mudança que vai engendrar a libertação social só poderá vir da estruturação duma resistência que fabrique a cada a mudança até que ela seja o status. Tudo o resto será só mais dominação que a nossa sociedade proto fascista alimenta com a maior naturalidade. Parem de convocar a violência, deixem de dar vazão a sentimentos mesquinhos com relação mesmo àqueles que hoje nos negam direitos e ben-estar, podem e vão ser vencidos pelo justo sério sem odio de nenhum tipo.
Tratemos as coisas pelos seus nomes sempre mas com elevação, porque quem luta rasteiro construirá seguramente um poder também rasteiro e a sociedade também terá que se livrar dele».
O comentário do nosso amigo Luís surge na sequência doutros comentários que apresentam a violência como forma de se pôr termo às práticas erradas de quem tem o dever de respeitar a legalidade do Estado.
por pfromao
terça-feira, 14 de fevereiro de 2006
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006
Já está no ar...
Amigos, o nosso blogue já está no ar, a espera da contribuição de cada um, escrevam textos pequenos, de entre 5 a 30 linhas, mas sejam, o mais possível, profundos; Não se esqueçam de juntarem fotos, os textos ficam mais estimulantes. Envie o teu texto para o e-mail: blogangolainterrogada@ahoo.com.br.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2005
«Um Desafio, uma Causa, um Apelo a todos vocês...»
Trata-se da minha primeira experiência no mundo da blogosfera...sei que é um grande desafio que me coloco, mais ainda quando sei que a inspiração, essa bela, nem sempre aparece, deixa-me, não raras vezes, em «securas», e quando sei que a menos bela constância é mais exigente. Mas como me proponho reflectir - com o empenhamento de todos vocês, a quem lanço o desafio de assumirem esse espaço como igualmente vosso - e, acima de tudo, suscitar interrogações sobre o quotidiano angolano, fértil em coisas boas (e algumas más, como é óbvio), terei, por aqui, um estímulo a estar o mais possível presente.
Eu amo Angola! Acredito que vocês também. Eu acredito que uma Angola diferente e melhor é possível. É algo que está nas nossas mãos, nas mãos de cada um de nós. Precisamos de pôr em questão o «status quo», precisamos de interrogar, ao menos. Se não fizermos esse exercício previamente, será difícil consciencializarmo-nos de que é preciso mudar e urgentemente começar a luta pela mudança. Uma luta que já começou, há muito. Não por nós, é certo. Mas cada um de nós está situado num contexto histórico e geracional, e importa assumir os desafios, as responsabilidades e os riscos decorrentes dessa circunstância.
Este é somente um pequeno espaço de reflexão que se abre a todos. Não tenho certezas de nada, pelo contrário tenho sempre dúvidas, estou sempre a procura. Só me conformo no último instante em que já não mais saberei se sou. Enquanto isso, aqui estou, sem pretensões de ser dono da verdade, no todo ou inteiramente, nem da mentira, mas com a pretensão de interrogar, com plena consciência de que a liberdade é uma virtude limitada por valores e princípios.
São valores e princípios, aliás, o que me move com esse espaço. Primeiro a dignidade da pessoa humana. Segundo a justiça. E por fim, a consolidação de um Estado de paz, desenvolvido e democrático. Entendo que a participação na vida pública, enquanto exercício político, apenas serve se estiver ao serviço do bem estar e da justiça social.
Que este seja um verdadeiro espaço de liberdade e de incessante confronto de ideias, porque recuso o reflexo do nosso passado, prenhe de intolerância e de incapacidade de se aturar o confronto; o que nos une é mais forte; não quero que as pessoas tenham medo de serem livres, livrres de assumirem as suas cores partidárias, livres de expressarem as suas convicções, livres de serem autênticas, livres para serem felizes e se sentirem realizadas como pessoas. Apenas um limite: não serão permitidos insultos pessoais.
Esta é a nossa luta, uma luta racional, é verdade, mas também uma luta apaixonante e que encerra algo de artístico, na medida em que é passível de ser apreciada se for feita com inspiração e com constância, essa duas «beldades», por mim muito queridas...
Estamos juntos!
Porto, 28 de Dezembro de 2005
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