terça-feira, 21 de fevereiro de 2006
Quando dizer é fazer...
Sou parte da imensa minoria de angolanos, passe o paradoxo, que ainda acredita na "mudança das vontades e dos tempos..." Angola é hoje uma espécie de desafio ao desencanto, um teste, duro, à vontade de resistir. A geração de angolanos que nos anos trinta e quarenta desenhou o nacionalismo que a geração seguinte, a de cinquenta e sessenta, pôs em acção, sempre balançou entre a persistencia em continuar a acreditar numa Angola Independente e o conformar-se com os tempos e com a vontade do momento. Quando lemos agora, com certa doze de emoção, as cartas que eles escriviam uns aos outros, não deixamos de nos questionar: como é aqueles moços, imberbes quase, na casa dos vinte, sem outra arma que a palavra e a crença na liberdade puderem ser tão ousados, tão criativos, tão imaginativos, enfim...tão angolanos!!! Parece que temos que acreditar também que a democracia liberal poderá contribuir, pelo menos, para que o maior número possível de angolanos tenha uma, chamemos assim, "vida boa". A arma dos que se dedicamn, entre outras coisas, a pensar, é a palavra. Usada com tenacidade é uma forma de estar também em campo aberto. Dizer também é fazer. Para isto aqui estou. Presente!
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006
Romper a indiferença contra a pobreza e a exclusão social
A existência de milhares e milhares de pessoas que vivem em situação de pobreza em Angola, traduz uma grande injustiça e constitui uma ofensa à dignidade pessoal e um desrespeito pelos pelos mais sagrados direitos humanos, que só nos pode incitar ao mais profundo incoformismo. É este inconformismo a que pretendo dar voz, por imperactivo de consciêcia, procurando que o mesmo se transforme numa energia colectiva e positiva , capaz de nos fazer caminhar no sentido da erradicação das causas produtoras e reprodutoras da pobreza e da exclusão social em Angola.Julgo que é com este espírito que o meu grande amigo (Pedro Romão) teve a iniciativa de criar o presente espaço de discussão sobre Angola, nesta grande aldeia global (que é a internet). Está de parabéns. Considero este espaço como um apelo a não sermos ingénuos ou acríticos perante as temáticas que serão aqui abordadas. Com ou sem vontade, somos herdeiros das "discussões" socio-politicas, económicas, culturais, etc...do nosso espaço vital (Angola).
Sempre que possível, cá estarei para dar o meu contributo. Pois, num país como Angola, com as portas por abrir para a " democracia", os os jovens que pensam não podem ficar à margem, nem permitir-se ao luxo de criar o seu proprio micro-cosmos.
por Veloso Ndunguini, ndunguini@hotmail.com
Cadeira vazia ou Intelorância Política?
O artigo interessante do amigo Luís Araújo sobre a notícia da semana que findou, faz-me retomar um artigo que havia escrito, mas que não publiquei, sobre «cadeira vazia ou intolerância política?».
Os argumentos que apresentou, se considerarmos a especificidade do nosso contexto, são bastante discutíveis. Não é que eu corrobore com os «comentaristas» que entendem que a ameaça de Samakuva poderia significar o recuo e recurso à mata.
A primeira ideia que me ocorre é que a nossa democracia não é ainda madura, (é apenas proclamada) precisa de dar prova que ela se pode construir nos marcos institucionais, que outrora foram rejeitados e invertidamente trocados por campos de batalhas. Parece-me fácil pensarmos que o facto de sermos uma democracia formal estamos habilitados a exercitar as experiências de uma qualquer democracia consolidada. Além de que, pode, à primeira vista, parecer uma boa estratégia, a retirada do parlamento pelos deputados da Unita, dada a falta de legitimidade democrática em que está mergulhado, há muito, o nosso parlamento. Não é assim, no entanto, que vejo as coisas: para mim, há que preservar, neste momento, a estabilidade política, por ser um valor mais alto e que vai concorrer para que a transicção e a normalização da vida política democrática se faça sem pertubações maiores, envolvendo o mais possível os cidadãos.
Contudo, também não subscrevo tanto as ideias defendidas pelo kota Justino Pinto de Andrade, que se fixou mais nas perdas materiais pela parte da Unita se este partido abandonasse o Parlamento. Julgo que o aspecto que aconselha a manutenção dos mandatos no Parlamento angolano é de cariz substancialmente político: queremos ou não que o Parlamento seja uma realidade central de debate político e das grandes decisões nacionais?
Seria uma tentação errada fazer duma táctica, que é o abandono do plenário, a própria estratégia ou política de combate democrático. A oposição angolana deve mostrar pelo combate político no terreno que é capaz, ou que é incapaz, doutro modo, não mostra que é uma alternativa. Não se convence o eleitorado assumindo o papel de «coitadinho» e com atitudes lamuriosas - essas não mobilizam -, mas sim pela qualidade das propostas.
por pfromao
Os argumentos que apresentou, se considerarmos a especificidade do nosso contexto, são bastante discutíveis. Não é que eu corrobore com os «comentaristas» que entendem que a ameaça de Samakuva poderia significar o recuo e recurso à mata.
A primeira ideia que me ocorre é que a nossa democracia não é ainda madura, (é apenas proclamada) precisa de dar prova que ela se pode construir nos marcos institucionais, que outrora foram rejeitados e invertidamente trocados por campos de batalhas. Parece-me fácil pensarmos que o facto de sermos uma democracia formal estamos habilitados a exercitar as experiências de uma qualquer democracia consolidada. Além de que, pode, à primeira vista, parecer uma boa estratégia, a retirada do parlamento pelos deputados da Unita, dada a falta de legitimidade democrática em que está mergulhado, há muito, o nosso parlamento. Não é assim, no entanto, que vejo as coisas: para mim, há que preservar, neste momento, a estabilidade política, por ser um valor mais alto e que vai concorrer para que a transicção e a normalização da vida política democrática se faça sem pertubações maiores, envolvendo o mais possível os cidadãos.
Contudo, também não subscrevo tanto as ideias defendidas pelo kota Justino Pinto de Andrade, que se fixou mais nas perdas materiais pela parte da Unita se este partido abandonasse o Parlamento. Julgo que o aspecto que aconselha a manutenção dos mandatos no Parlamento angolano é de cariz substancialmente político: queremos ou não que o Parlamento seja uma realidade central de debate político e das grandes decisões nacionais?
Seria uma tentação errada fazer duma táctica, que é o abandono do plenário, a própria estratégia ou política de combate democrático. A oposição angolana deve mostrar pelo combate político no terreno que é capaz, ou que é incapaz, doutro modo, não mostra que é uma alternativa. Não se convence o eleitorado assumindo o papel de «coitadinho» e com atitudes lamuriosas - essas não mobilizam -, mas sim pela qualidade das propostas.
por pfromao
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006
E se a Unita abandonasse o Parlamento e o GURN?
A UNITA sair do parlamento e do GURN - como informa o angonoticias- seria um acto político normal. Um acto de cidadania livremente assumido que não tem que ser visto como um passo para «voltar à mata» como alguns comentadores dessa noticia receiam e ou insinuam. A luta política em regime pluripartidário é mesmo assim. Podem nessas circunstancias suceder situações - agora e no futuro - em que para uma parte a ruptura com algumas instituições devido à orientação que lhes é imprimida é a opção mais acertada para ela que pode também ser a opção mais acertada para todos nós, incluindo para tantos daqueles que são alinhados com quem produz essas orientações assim contestadas. Temos que começar a apoiar o que é certo ao invés de incondicionalmente só apoiarmos o que é da lavra do nosso clube partidário.Seria, suponho, um acto pacifico a UNITA sair do Parlamento e do GURN. Isso não é um acto militar. Para haver guerra tem que, no mínimo haver duas partes armadas e nos dias que correm as únicas forças armadas autónomas são as FAA e a UGP, todas do mesmo lado, ou seja todas controladas pelo detentor do poder político, O Comandante em Chefe das forças militares do País. Portanto uma saída da UNITA do Parlamento e do GURN é só mesmo um fazer política legal e legitimamente. Ninguém tem que e espero que nem vá pegar em outras armas para além do argumento político para convencimento da sociedade sobre as suas razões. Ou seja ninguém vai fazer outra "guerra" do que a das palavras na arena do debate político. Mas se tal combate político vier a acontecer que seja por razões mais abrangentes e elevadas do que a apresentada. Que seja então para que o MPLA comece a respeitar as regras do jogo, cumpra totalmente os seus compromissos assumidos em Lusaka, deixe completamente de dominar o Estado como um partido-Estado, libere a comunicação social pública da sua hegemonia e a administração do Estado também, garanta a participação cidadã daqueles também, como no nosso caso, que não são do seu partido e/ou de nenhum, desarme a população civil, obrigue as empresas privadas de segurança a entregarem as armas de guerra que possuem, despartidarize as comunidades e o espaço público, etc. Se estas forem as metas duma ruptura então serão bem vindas. Obrigarão o processo de construção do Estado de Direito e da Democracia a avançar mais rápido, a eliminar obstáculos, a sair da farsa em que se encontra confinado.
Os violadores dos direitos humanos começarão a perder a impunidade de que têm gozado, viveremos se medo e seremos a partir daí mais plenamente cidadãos que é a condição essencial à democracia. Será o político a dar passos em frente numa direcção que subsidiará a libertação social há tanto ansiada. Podem estrebuchar se quiserem aqueles que - obviamente com os rendimentos que daí advêm - querem manter o político desviado daquilo que a Lei Constitucional estabelece porque serão os perdedores dessa disputa.
É necessário com urgência deixar de alimentar o universo institucional do partido-Estado prevalecente com a atitude cooperante também prevalecente que o tem ajudado a preservar-se. Sem atitudes de cidadania consequentes e corajosas - na situação de proto fascismo em que a nossa sociedade se encontra - continuaremos a ser reduzidos à condição de co-produtores da nossa própria dominação. Libertemos-nos, pacificamente claro. Essa luta não pode ser só uma luta pelo poder mas ter um alcance que a eleve a uma luta pelas aspirações de todos. Uma luta essencialmente e acima de tudo por direitos para todos, portanto para os do MPLA também. Muitos dos seus militantes e simpatizantes também têm visto os seus direitos violados e muitos outros não concordam com tantas práticas da gente que dirige o seu partido e o Governo. Deve ser uma luta acima de tudo para colocar a "transição para a democracia" nos eixos duma transição para a democracia de facto. A Vitória da democracia está cada vez mais perto, animemos-nos. É hora de todos nos juntarmos nesse esforço porque não será um esforço para o beneficio só duns poucos. Aqueles que assim pensarem e nesse esforço procederem à busca de rendimentos particulares só estarão a candidatar-se também a objecto de tratamento da vassoura do povo, o único soberano eterno da República Democrática que vamos ser plenamente um dia. Não tenho duvidas!
por Luís Araújo, laraujo@netangola.com
terça-feira, 14 de fevereiro de 2006
«A violência não gera libertação...»
Eis o comentário do nosso amigo Luís Araújo (presidente da SOS Habitat, que se tem batido contra as demolições ilegais e violações do direito à terra e à habitação), a propósito da notícia «Zungueiras espacam fiscal no São Paulo», publicada pelo semanário A Capital e pelo Angonoticias:
«A violência não gera libertação, mas apenas novas tiranias, tantos que aqui convocam a violência não sabem que estão a produzir uma nova dominação por quem for mais manhoso e bárbaro se que com essas "qualidades" pode ser vencedor na barbárie que convocam. Haja calma, o injusto terá sempre o seu fim, também o injusto que em nome da justiça disfarça inveja e a sua ânsia de poder absoluto.
A mudança que vai engendrar a libertação social só poderá vir da estruturação duma resistência que fabrique a cada a mudança até que ela seja o status. Tudo o resto será só mais dominação que a nossa sociedade proto fascista alimenta com a maior naturalidade. Parem de convocar a violência, deixem de dar vazão a sentimentos mesquinhos com relação mesmo àqueles que hoje nos negam direitos e ben-estar, podem e vão ser vencidos pelo justo sério sem odio de nenhum tipo.
Tratemos as coisas pelos seus nomes sempre mas com elevação, porque quem luta rasteiro construirá seguramente um poder também rasteiro e a sociedade também terá que se livrar dele».
O comentário do nosso amigo Luís surge na sequência doutros comentários que apresentam a violência como forma de se pôr termo às práticas erradas de quem tem o dever de respeitar a legalidade do Estado.
por pfromao
«A violência não gera libertação, mas apenas novas tiranias, tantos que aqui convocam a violência não sabem que estão a produzir uma nova dominação por quem for mais manhoso e bárbaro se que com essas "qualidades" pode ser vencedor na barbárie que convocam. Haja calma, o injusto terá sempre o seu fim, também o injusto que em nome da justiça disfarça inveja e a sua ânsia de poder absoluto.
A mudança que vai engendrar a libertação social só poderá vir da estruturação duma resistência que fabrique a cada a mudança até que ela seja o status. Tudo o resto será só mais dominação que a nossa sociedade proto fascista alimenta com a maior naturalidade. Parem de convocar a violência, deixem de dar vazão a sentimentos mesquinhos com relação mesmo àqueles que hoje nos negam direitos e ben-estar, podem e vão ser vencidos pelo justo sério sem odio de nenhum tipo.
Tratemos as coisas pelos seus nomes sempre mas com elevação, porque quem luta rasteiro construirá seguramente um poder também rasteiro e a sociedade também terá que se livrar dele».
O comentário do nosso amigo Luís surge na sequência doutros comentários que apresentam a violência como forma de se pôr termo às práticas erradas de quem tem o dever de respeitar a legalidade do Estado.
por pfromao
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