segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Esmagados Pela Democracia Futunguista
RAFAEL MARQUES
Caro Ferrenho Anónimo.
Respeitosas saudações.
Com o fim da campanha eleitoral e com a estrondosa consagração do «teu partido» não esperava voltar a receber mais uma das tuas famosas mensagens de intolerância política e de exaltação do monopartidarismo.
Antes de discutirmos o conteúdo da tua mensagem triunfal, vou pedir-te que deixes de escrever-me sob anonimato. Acho que não é uma atitude séria, justa, livre e transparente.
Meu caro, não posso fazer o que me exiges: render-me à tão propalada ideia de que Angola deu um grande exemplo ao mundo e admitir que as nossas eleições foram livres e transparentes. Porque? Porque o que se passou em Angola não corresponde a nada daquilo que li, estudei, vi, vivi e sei acerca de processos eleitorais Por isso e atendendo as complicadas democracias dominantes em África, acho apenas que as nossas eleições foram… aceitáveis.
Caro Ferrenho Anónimo. Não é, nem pode ser, apenas o dia do voto que determina a justeza, a transparência e a liberdade de uma eleição. É preciso considerar a globalidade do processo eleitoral. Porque um processo exemplar implica o cumprimento rigoroso e transparente da sequência de passos, acções e tarefas que vão desde o registo eleitoral à publicação dos resultados definitivos.
Assim, o acto eleitoral de 5 de Setembro e a publicação dos resultados deveriam ser um honroso e jubiloso culminar de um processo eleitoral cívico, livre, justo e transparente. Mas tal não aconteceu. Em minha opinião, só a atitude dos eleitores é que foi cívica e só os formatos das urnas é que foram transparentes. Quanto ao resto do processo… é o que todo mundo viu.
Pedes para pararmos de choramingar e para nos convencermos de que, com esta esmagadora vitória do «teu partido», a democracia veio para ficar. A minha resposta não seria tão certeira como a de Rafael Marques: «Houve eleições sem ter havido um verdadeiro processo democrático (…) O problema em África é que as eleições acabam por ser utilizadas como substituto da democracia. As eleições vêm conferir legitimidade democrática a uma situação na qual os pressupostos democráticos continuam a ser diariamente violados (…) Não podemos continuar a confundir eleições com democracia».
Caro ferrenho Anónimo. Não podemos aceitar uma democracia onde os ditos democratas não se sintam obrigados a cumprir as regras do processo democrático e a respeitar os valores fundamentais de um Estado de direito. E não basta uma pessoa ser do MPLA, falar bem português, viver em Luanda e vestir fato e gravata para ser automaticamente considerada democrata. Isto porque, os democratas são se presumem. Comprovam-se pela prática reiterada dos grandes valores da Democracia.
Por exemplo: o debate eleitoral é um dos requisitos necessários para que o processo eleitoral seja considerado justo, livre e transparente. Durante a campanha eleitoral, não houve nenhum debate (televisivo ou radiofónico) entre os presidentes dos principais partidos. Assim, a CNE, o Governo, a Televisão Pública e a Rádio Nacional não podem vir dizer que estiveram ao serviço da Democracia quando não foram capazes de tornar possível um debate entre Samakuva e Eduardo dos Santos. O divino e intocável Presidente do MPLA não pode vir gabar-se de ser um democrata, absolutamente, empenhado na democratização do País quando se recusa a debater ideias com os «desprezíveis mortais» que lideram os outros partidos que concorreram as eleições.
Portanto, estamos muito longe da verdadeira Democracia. Quando é, então, que poderemos ter uma Democracia a sério? Certamente acompanhas os meus artigos e, por isso, já deves saber a minha opinião sobre o processo democrático em curso. Para mim, só com o fim do futunguismo e com o surgimento de um MPLA-Renovado é que Angola poderá caminhar rumo a edificação de um verdadeiro Estado de direito democrático alicerçado na soberania popular, na dignidade da pessoa humana e no pluralismo.
Assim, enquanto os futunguistas continuarem com o seu longo e doloroso reinado e enquanto não emergir na cena política de Angola um MPLA-Renovado capaz de promover a democratização e reconciliação do MPLA-Histórico e dar outro rumo ao processo de democratização do nosso promissor País, teremos de nos contentar com essa democracia dos futunguistas que será sempre insonsa, morna, confusa, translúcida e titubeante.
Dizes que nós que estamos sempre a falar mal do «teu partido» já devíamos aprender que não se brinca com o «grande MPLA». Obrigado pela advertência. Mas não estás a dar nenhuma novidade. É que os poucos partidos que se atrevem a fazer oposição política e os cidadãos e as instituições que ousam fazer oposição cívica estão conscientes da luta desigual que travam contra o poderoso futunguismo. E o conturbado processo eleitoral serviu apenas para provar que continuamos sem ambiente, sem meios e sem condições para provocar a queda do futunguismo e promover a mudança que desejamos.
Porque? Porque os futunguistas têm sido muito bons nas disputas maquiavélicas pela manutenção do poder. E, depois de esmagarem Viriato da Cruz, Mário Pinto de Andrade, Gentil Viana, Matias Miguéis, Daniel Chipenda, Joaquim Pinto de Andrade, Nito Alves, Mostro Imortal, Zé Van Dunem, Sita valles, a FNLA, a poderosa UNITA de Savimbi, as FLEC´s e o antigo PADEPA sentem-se, agora, sem adversários à altura e no auge da sua força e do seu poder. O pior de tudo é que a dependência do petróleo deu-lhes uma ascendência sobre a política externa dos Estados Unidos, da China, da França, da Inglaterra, da Rússia, do Japão, de Portugal e doutros antigos defensores acérrimos da Democracia e dos Direitos Humanos. Por isso, não há no mundo de hoje instituição divina ou humana capaz de travá-los, contrariá-los, questioná-los ou censurá-los.
Dizes que fomos esmagados e que esta estrondosa vitória do «teu partido» serve para mostrar de forma inquestionável que «o MPLA é o povo e o Povo é o MPLA». Acredito que um dia a grande maioria dos adeptos e militantes do «teu partido» há-de perceber o que muitos do MPLA já perceberam: esta vitória representa a consagração absoluta de um poderoso grupo de maus governantes astutamente mascarados de democratas e que sobrevive a custa da poderosa imagem do MPLA.
Sabes, isto de termos sido esmagados eleitoralmente e de forma humilhante faz parte de um antigo sonho dos futunguistas que desde sempre pretenderam dominar a sociedade angolana de forma hegemónica e intolerante, por se acharem os mais «civilizados», os mais «capazes», os mais «iluminados» e os mais «evoluídos» dos angolanos.
No blogue «morrodamaianga.blogspot.com», do grande jornalista Wilson Dadá, está publicada a seguinte frase que um conhecido futunguista proferiu muito antes do dia 5 de Setembro: «Nós não vamos ganhar, nós vamos esmagar os adversários».
É verdade, caro ferrenho. Nós fomos brutalmente esmagados pelos futunguistas. Sabes porquê? Porque durante a viagem eleitoral os futunguistas, ao volante da sua poderosa e gigantesca máquina eleitoral, teimaram em circular em contramão, insistiram em viajar em sentido contrário, lançando o pânico e a confusão entre os utentes das vias eleitorais e colidindo violentamente contra os principais valores da Democracia e do Estado de direito. Essa prepotente aventura provocou um brutal acidente eleitoral em cadeia que fez inúmeras vítimas e causou imensos danos ao processo democrático em curso.
Bem, por hoje é tudo, caro ferrenho anónimo. Despeço-me com uma frase pronunciada pelo controverso ditador português António Oliveira Salazar depois da mega fraude eleitoral de 1958 e que retrata o estado de espírito dos apoiantes do futunguismo depois de terem esmagado os opositores (nacionais e internacionais) e terem feito triunfar a obscura democracia futunguista:
«Está tudo bem assim e não podia ser de outra forma».
José Maria Huambo/ Semanário Folha 8
sábado, 30 de agosto de 2008
Dou o Meu Voto à FpD!
Antes de descrever as razões que me levam a escolher a FpD (Frente para a Democracia), precisamos de ter em conta alguns aspectos importantes. É que nesta campanha eleitoral muitos partidos estão a fazer grandes promessas como se fossem formar governo em caso de vitória eleitoral. A grande verdade que todos precisam de ter bem presente é esta:No dia 5 de Setembro os angolanos não irão às urnas para escolher um novo Governo. Se a UNITA ganhar as eleições não vai formar governo. Porquê? Porque a cultura política e a tradição constitucional vigentes desde 1975 impuseram, entre nós, o sistema presidencialista. Por isso, em Angola, o Presidente do Partido que ganha as eleições legislativas não forma governo. Quem assume o governo do País é o vencedor das eleições presidenciais. Como as eleições presidenciais só serão em 2009, até lá, o governo do País continuará sob a responsabilidade do Presidente da República em exercício desde 1979. Assim, mesmo que o MPLA perca as eleições legislativas, os futunguistas irão continuar a governar o País. Porquê? Porque José Eduardo dos Santos, o seu candidato natural, continua a ser o Chefe do Governo. Quer isto dizer que se os principais partidos da oposição (UNITA, FNLA, FpD, etc.) quiserem governar o País terão de apostar em candidatos que consigam derrotar Eduardo dos Santos nas eleições presidenciais.
Os angolanos irão as urnas para definirem uma nova composição dos 223 lugares da Assembleia Nacional. Qual é, então, a importância destas eleições legislativas? Estas eleições são importantes porque o Parlamento é o centro da Democracia. A Assembleia Nacional é a assembleia representativa de todos os angolanos e exprime a vontade soberana do povo angolano. Na Angola tradicional era nos «jangos» que os membros das comunidades se reuniam e debatiam com os «sobas» os seus problemas e tomavam as decisões susceptíveis de influenciarem as suas vidas.
A Assembleia Nacional é o «Jango» de todos os angolanos. É no «Jango» que os governantes e os cidadãos devem reunir-se para debater os problemas do País. É no «Jango» que os governantes devem informar aos cidadãos sobre as decisões que tomam na promoção da dignidade do angolano e na defesa dos interesses da Pátria. É no «Jango» que os governantes devem dar a conhecer aos cidadãos como é que estão a governar o País, a gerir o dinheiro público, etc. E tudo o que os governantes fizerem sem consultar os cidadãos reunidos no «Jango» é contra a Lei e contra a Democracia. Porquê? Porque não exprime a vontade soberana e o interesse legítimo dos angolanos.
Diz a nossa Constituição que a Assembleia Nacional é a assembleia representativa de todos os angolanos. O que significa «assembleia representativa»? A representatividade política resulta dos seguintes factos: Nas comunidades tradicionais, os «jangos» tinham espaço suficiente para acolherem todos os membros com capacidade de intervirem nos assuntos em discussão. Acontece que nem todos os angolanos têm maturidade para debaterem e procurarem soluções para os problemas de Angola. E os milhões de angolanos com capacidade de intervirem nos assuntos do País não podem todos mudar-se para Luanda nem cabem no edifício da Assembleia Nacional.
Portanto, nem todos são capazes de debater os problemas do País e não é possível os milhões de angolanos ocuparem os 223 lugares do «Jango». É por isso que dia 5 de Setembro vamos escolher os Deputados à Assembleia Nacional. A palavra deputado vem do verbo deputar que quer dizer delegar, encarregar alguém de uma missão. Assim, vamos escolher aqueles que julgamos capazes de ocupar o nosso lugar no «Jango» e de nos substituir no exercício da nossa soberania. Vamos eleger aqueles que vão intervir em nosso nome nos debates das decisões que moldam as nossas vidas e nas discussões dos problemas do País.
Nestas eleições o nosso voto representará a resposta que cada um de nós dará às propostas dos partidos e à credibilidade dos dirigentes que fazem as promessas eleitorais. Assim, são 3 as principais formas de expressão da nossa escolha: o voto leal, o voto de censura e o voto estratégico.
Com o voto leal os eleitores limitam-se a escolher os representantes do seu partido preferido. Pouco lhes importa se os seus escolhidos são bons ou maus dirigentes políticos. Se são políticos competentes ou incompetentes. Se são honestos ou corruptos. Os eleitores escolhem-nos, simplesmente, por serem os candidatos do seu partido do coração.
Com o voto de censura os eleitores não voltam a escolher os seus candidatos do anterior mandato. Ou porque não gostam das suas novas propostas políticas ou porque durante o mandato que terminou não souberam representar condignamente os interesses dos seus eleitores.
Com o voto estratégico os eleitores sentem-se forçados a votar não nos candidatos dos seus partidos de preferência mas noutros candidatos com os quais se sentem identificados ou noutros candidatos com capacidade de derrotarem os candidatos dos partidos que não gostam. O voto estratégico é muito frequente nas segundas voltas das eleições presidenciais.
Depois de vermos estes aspectos importantes que gravitam em torno das eleições legislativas, estou pronto para justificar o porquê do meu voto ir para a FpD. O meu voto na FpD é, ao mesmo tempo, um voto de censura, de lealdade e estratégico.
1- O meu voto na FpD é um voto de censura ao MPLA e à UNITA. Porque? Porque, para mim, ambas as organizações são as grandes responsáveis pela vergonhosa degradação do angolano e pela imerecida estagnação do nosso promissor Pais e ambos os partidos traíram a confiança dos angolanos e representam um doloroso passado que deve estar sempre bem presente na definição do grande futuro que desejamos construir.
O MPLA é, de longe, a mais marcante e a mais poderosa organização política de Angola. Mas, infelizmente, sobrevive absolutamente refém dos obscuros interesses dos futunguistas. É por causa da desastrosa gestão governativa dos futunguistas que os angolanos já não olham para o MPLA como antes olhavam. Assim, vou votar na FpD porque os futunguistas já deram inúmeras provas da sua incapacidade de representarem os nossos legítimos interesses. Angola está a atravessar uma nova era, que exige novos homens, nova mentalidade, nova cultura política, novos projectos, novos ideais e novos rumos. Parafraseando Agostinho Neto, precisamos de dirigentes “que estejam sempre ao lado do povo, no seu sofrimento e nos seus sacrifícios”. Por isso, não vou escolher para me representarem no «Jango» pessoas que apenas se dedicam a defender os seus interesses pessoais, sempre fizeram tábua rasa aos nossos direitos humanos e desenvolveram uma cultura de desprezo, empobrecimento e inferiorização dos angolanos.
A UNITA já representou a grande esperança de inúmeros filhos de Angola. Mas, infelizmente, durante longos e dolorosos anos esteve refém dos obscuros interesses de Jonas Savimbi. E é por causa do seu tristemente célebre belicismo que os angolanos já não olham para a UNITA como antes olhavam. Assim, vou votar na FpD porque a UNITA, com a sua famigerada e temível guerrilha, muito contribuiu para a actual atmosfera de desgovernação e estagnação do País. E, por força dos acordos de Paz, passou a ser parte integrante do mesmo sistema que sempre combateu. Por isso, não tem ambiente, nem condições, nem argumentos para confrontar, politicamente, a danosa e desastrosa gestão governativa dos futunguistas e opor-se, democraticamente, ao partido no poder e ao vergonhoso clima de corrupção e incompetência que reina entre nós. Voto na FpD porque não quero voltar a escolher um partido que no antigo parlamento, muitas vezes, alinhou com as obscuras opções políticas e governativas dos futunguistas.
2- O meu voto na FpD é um voto de lealdade. Não sou militante de nenhum partido. Por isso, não estou sujeito a disciplina de voto que me obriga a apenas votar no meu partido. Isto significa que estou livre para escolher o partido cujas propostas políticas estão de acordo com a minha postura cívica e com os valores que defendo. Assim, escolhi votar na FpD por ser o partido que está mais próximo dos ideais que defendo e da minha forma de pensar o País, de avaliar os governantes, de exercer a cidadania e de viver a angolanidade. Decidi escolher os dirigentes da FpD para ocuparem o meu lugar no «Jango» porque já deram provas sólidas de que saberão representar-me condignamente nos debates das decisões que moldam as nossas vidas e nas discussões dos problemas do País.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
A Nossa Dignidade Está Acima De Tudo e De Todos!
Vejamos: Ainda hoje persiste em Angola a exploração do homem pelo homem, a espoliação das matérias-primas e o recrutamento de mão-de-obra barata. Ainda não foi destruído o sistema da exploração com base na lei do mais forte».
In Semanário Folha8
Democracia A Sério, Só Com Um MPLA-Renovado
Como qualquer organismo, um movimento vive de substituição do velho pelo novo, pela renovação constante das células. O curioso é que todos os partidos de esquerda aceitam este princípio dialéctico, passam a vida a proferi-lo. No entanto, nunca o aplicam a si próprios e quanto mais velho é o indivíduo melhor dirigente será. Os velhos nunca largam o poder, só à força. Ora, é preciso sempre sangue novo, uma geração que se substitua à precedente, um revigorante vindo dos quadros. Só assim se pode recuperar o tempo perdido.
PEPETELA, A Geração da Utopia
Os que andam saturados e cansados do longo e doloroso reinado do futunguismo liderado por José Eduardo dos Santos e que intervirão activamente no processo eleitoral que culminará com a votação do dia 5 de Setembro precisam ter em conta o seguinte:
1- Quem ganhar as eleições de 5 de Setembro não vai governar o País. Porque, apesar da ratoeira constitucional promovida pelos futunguistas, o nosso sistema de governo não é semi-presidencial como o sistema português. Nesse sistema, forma governo o partido que conseguir a maioria dos assentos do parlamento.
Por tradição e por cultura políticas, o nosso sistema é presidencialista. Assim, em Angola, é o Chefe do Estado quem conduz a política geral do País. É ele quem preside o Conselho de Ministros, escolhe o Primeiro-Ministro e exonera os Ministros, os Vice-Ministros e os Secretários de Estado. Mas o pormenor que torna claramente o nosso sistema presidencialista é este: No sistema semi-presidencial, a continuidade do Governo não depende da eleição do novo Chefe de Estado. Em Angola, a eleição do novo Presidente da República provoca a demissão do Governo. Portanto e usando, com a vossa permissão, uma bem conhecida gíria, quem «mija» e manda no governo não é o Primeiro-Ministro. É o Presidente da República.
Quer isto dizer que, se os principais partidos da oposição (UNITA, FNLA, FpD, etc.) quiserem governar o País terão de apostar em candidatos que consigam derrotar Eduardo dos Santos nas eleições presidenciais.
2. Em Angola, Democracia a sério, só com um MPLA-Renovado. Tal como não foi possível existir uma UNITA-Democrática durante o longo e doloroso reinado da UNITA-Belicista, assim também não é possível surgir um MPLA-Democrático enquanto o MPLA-Futunguista continuar a controlar e a dominar o MPLA-Histórico. Por isso, é natural que o actual processo democrático esteja muito longe do processo almejado por todos aqueles que sonham e lutam para que Angola seja um verdadeiro Estado de direito democrático, alicerçado na soberania popular, na dignidade da pessoa humana e no pluralismo.
Assim, enquanto os futunguistas continuarem com o seu longo e doloroso reinado, a nossa Democracia será sempre insonsa, morna, confusa e titubeante. Porque, tal como o savimbismo, o futunguismo é um sistema fechado, autocrático, autoritário e ferreamente construído em torno da divinização e bajulação do seu líder infalível, incontestado, omnipotente, omnisciente e omnipresente. Tal como o savimbismo, o futunguismo tem sido absolutamente implacável com os opositores internos e com aqueles cujo prestígio, inteligência, influência ou ideias constituem uma ameaça à autoridade e à liderança do chefe.
Graças a Deus, os futunguistas deixaram de eliminar fisicamente os militantes do MPLA-Histórico que ousem contestar e desafiar a sábia e clarividente liderança de José Eduardo dos Santos. Aliás, foi nesse sentido o recado que recebeu o General Garcia Miala, ele que já foi considerado o único homem que podia acordar o Presidente a qualquer hora da noite. Segundo a mais célebre vitima dos futunguistas, a pessoa indicada para lhe transmitir a controversa demissão, disse-lhe que não se preocupasse com a sua vida porque já não estavam nos tempos das eliminações físicas. Mas, no futunguismo, os atrevidos que ousem brilhar mais do que o chefe sofrem uma morte política capaz de ensombrar e congelar as suas ambições.
Assim, e por causa da rigidez do sistema e das traumatizantes perseguições do passado, não há, no seio do MPLA-Histórico, algum mortal com motivação e com meios capazes de beliscar e desafiar a longa liderança de Eduardo dos Santos. E o MPLA-Renovado tarda a aparecer porque os militantes com inteligência, prestígio e capacidade suficientes para promoverem a abertura, a democratização e a tão esperada reconciliação interna do histórico Partido estão todos domados, silenciados, corrompidos e resignados. E enquanto não emergir na cena política de Angola um MPLA-Renovado capaz de promover a democratização do MPLA-Histórico e dar outro rumo ao processo de reconciliação nacional e de democratização do nosso promissor País, teremos de nos contentar com essa democracia dos futunguistas.
3- Os futunguistas não mudam mais e vão continuar a ser senhores absolutos da vida política e económica de Angola. Por isso, temos de nos livrar do velho hábito de esperarmos, passiva e resignadamente, pela ajuda e intervenção da comunidade internacional na resolução dos nossos problemas. Estamos sozinhos neste difícil combate ao todo poderoso futunguismo. É que, os futunguistas sentem-se no auge da sua força e do seu poder. A dependência do petróleo deu-lhes uma ascendência sobre a política externa dos Estados Unidos, da China, da França, da Inglaterra, da Rússia, do Japão, de Portugal e doutros antigos defensores acérrimos da Democracia e dos Direitos Humanos. Por isso, não há no mundo de hoje instituição divina ou humana capaz de travar os seus instintos cleptocratas, de questionar a governância deles, de censurar a ostentação descarada das suas riquezas e de impugnar os seus longos desmandos.
4- Mais do que eleições legislativas, as eleições de 5 de Setembro serão LEGITIMATIVAS para todos aqueles que se opõem ao longo e doloroso reinado dos futunguistas. Porque durante os 16 anos de interregno eleitoral, os futunguistas trataram a oposição política, as lideranças eclesiásticas e sindicais, a imprensa privada, as organizações não-governamentais e a sociedade civil como entidades ilegítimas. Lidaram connosco de forma arrogante e prepotente, como se não tivéssemos nem maturidade nem autoridade para questionarmos a sua longa e desastrosa governância.
Isto vai acabar. Porque, a partir de 5 de Setembro de 2008 estaremos todos legitimados a enfrentar os futunguistas, a exigir o cumprimento das suas promessas, a questionar as suas decisões políticas e a censurar os seus habituais desmandos.
5- Os futunguistas não podem obter a maioria absoluta dos assentos parlamentares. À custa do longo prestígio e da poderosa influência do MPLA-Histórico, os futunguistas há muito que se preparam para obter, nas próximas eleições e a qualquer preço, uma esmagadora vitória que os permita conseguirem a maioria absoluta dos 223 assentos da Assembleia Nacional. Isso seria mau para o processo democrático em curso. Porque controlando o Parlamento e mantendo o seu líder na Presidência da República, os futunguistas continuarão a ser os senhores absolutos da política nacional e continuaremos a ser forçados a submeter-nos aos seus caprichos e desmandos.
Urge, por isso, que os descontentes do MPLA-Histórico e a oposição política empenhem-se na difícil tarefa de ajudarem os eleitores a saberem identificar os futunguistas que se vão camuflar com os poderosos símbolos do MPLA-Histórico.
Sim, eles estão apostados em usar o MPLA para manterem os seus privilégios e os seus desmandos. Só para dar um exemplo: o artigo 19º da Lei dos Partidos Políticos diz que os símbolos de um partido não podem confundir-se ou ter relação gráfica com símbolos e emblemas nacionais. Sabem porque é que os futunguistas boicotaram e sabotaram o processo da nova bandeira da República de Angola?

Bandeira de Angola Bandeira do MPLA
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Estamos Juntos, nesta Luta pela Dignificação do angolano!

Caros Compatriotas e amigos de Angola!
Fraternais saudações.
Antes de tudo, permitam-me, em nome da equipa responsável por este blogue, expressar a nossa profunda gratidão por terem ajudado a tornar o «angolainterrogada» uma referência na blogosfera e um importante espaço de encontro, reencontro e partilha de ideias para todos nós que amamos Angola e carregamos em nossos corações as dores da devastação e da estagnação da nossa amada Pátria.
Como sabem, o grau de audiência e visibilidade de um blogue é avaliado pelo número de «page views» e de «visits». O blogue «Angolainterrogada» teve, até hoje, 18.553 «page views» e 11.789 «visits». Nada mau!
Graças ao vosso contributo, o blogue começa a sair do anonimato e a afirmar-se na blogosfera. E isto dá-nos alento, força, coragem e motivação para levarmos avante esta difícil, mas importantíssima, missão de repensarmos a independência, questionarmos a paz e pormos em causa tudo aquilo que nos foi ensinado durante os conturbados anos de guerra e que tem condicionado a conciliação dos angolanos, a nossa forma de avaliar os governantes, de exercer a cidadania, de pensar o País e de viver a angolanidade.
A nossa sentida solidadriedade e profunda compreensão para com os compatriotas e amigos de Angola que, por vários motivos (pessoais, técnicos, políticos, etc.) não puderam expressar as suas opiniões.
O nosso profundo obrigado para os compatriotas e amigos de Angola que ousaram partilhar connosco as suas opiniões. Valeu!
Com Angola no coração,
José Maria Huambo
MAFEGOS, Porto:
«Sempre que chove assim eu lembro-me dos gafanhotos. Não aqui, não em Luanda, claro! Aqui nunca vi nada parecido! O meu pai, o velho Faustino Benedito, herdou, da avó materna, uma fazenda na Gabela. Íamos lá passar férias. Para mim, era como visitar o paraíso.
JOSÉ EDUARDO AGUALUSA, O Vendedor de Passados
Tendo nascido em Angola e vivido 12 anos nesse paraíso é claro que, mais do que ninguém, eu sei qual o valor de viver numa terra abençoada por Deus. E por muito que eu viaje, nunca comparo a minha Gabela a qualquer outra terra! Nem Nova Iorque, nem Paris ou Rio de Janeiro. Porque a Gabela é incomparável!
É claro que eu estou a referir-me a uma Angola que, infelizmente, era desigual consoante a cor da pele. Uma Angola colonialista, onde os brancos tinham a primazia de pôr e dispor. Portanto, tudo o que eu posso dizer da minha terra é sempre pelo lado dos privilegiados, daqueles que nada lhes faltou e que viveram bem, provavelmente à custa e em claro prejuízo dos verdadeiros angolanos.
Nasci na Gabela, na pensão Oliveira, em 6 de Julho de 1963. É por estas e por outras, que eu tenho o maior orgulho de dizer: «eu nasci em Angola». Mas não é pela simples condição de ser filho de colonos, que me sinto menos angolano. Antes pelo contrário, sinto um orgulho enorme pelo facto dos meus pais terem deixando Portugal e terem zarpado para Angola, procurando melhorar a vida, quando seria mais fácil ir para França, Brasil ou EUA. Os meus pais escolheram ir para o paraíso e ajudaram, com a sua modesta participação, a engrandecer aquela terra.
E é esse amor por essa terra, que me faz percorrer os diversos blogues angolanos com que me vou deparando nesta cada vez mais imparável blogosfera e pelos quais me vou inteirando sobre o que se vai passando lá na "banda", pois o coração parece que ficou lá e tenho que urgentemente voltar para me encontrar com ele para ver se não morro de saudade.
Tive e tenho o privilégio de conhecer o José Maria Huambo, um bom homem e, tal como eu, um apaixonado pela sua terra, e daí ter aceite escrever este texto, não só pela amizade mas também pelos pontos de vistas que entre nós são na maioria das vezes convergentes.
Gosto de passar por aqui e ver o que se vai escrevendo sobre o que se deseja e espera do futuro da nossa terra. Porque, que por muito mal que a continuem a tratar, a nossa esperança é infinita. E nos duros momentos de desânimo não há nada que uma boa moamba, um bom merengue ou até um kuduro não nos faça, como uma Fénix, renascer para o sonho de uma Angola como diria uma canção em 75 "Esta Angola é grande e caberíamos todos nós, mas cada vez que matam, aumentam o rancor desta pobre gente que tanto escravizaram".Era uma canção que visava o colonialismo, mas infelizmente continua muito actual. Mas tenho esperança que Angola ainda vai ser a terra, não o paraíso que eu vivi, mas aquela terra onde um dia poderemos viver, trabalhar, amar e, por fim, morrer, por exemplo, no meio daquele cheiro do café, o cheiro que me persegue desde que nasci.
Uma das mágoas que tenho é que eu posso estar a falar de uma Angola que hoje já não existe e que muitos angolanos pensem que só existe no meu imaginário. E é triste o facto de muitos angolanos nunca terem tido a hipótese de viver e desfrutar daquele país, como nós o fizemos. Mas como a esperança é a última a morrer…
Está a chegar Setembro que pode ser uma grande surpresa e vamos ver como se comportam os dirigentes angolanos perante a derrota. E não me estou só a referir aos que estão no governo. Mas também espero a oposição se mostre digna perante a derrota. Isto se as eleições forem na verdade livres e justas, como espero»
CARLOS, Brasil:
«Olá! Vou em primeiro lugar fazer a minha apresentação: Sou filho de portugueses nascido no Huambo, tendo residido na Huila e Luanda. Actualmente resido no Brasil. Acompanho o vosso blogue há algum tempo e o acho fantástico! Desde o início fiquei impressionado com a cultura, raciocínio e colocação dos problemas de Angola pelo Sr. José Huambo! Continuai assim».
PAULO, Porto:
«É saudável e extremamente útil participar com a nossa existência a tudo quanto seja para alinhavar um futuro digno de homens inquietos com uma realidade que infelizmente não tem sido normal. Como tal, toda a consciência crítica com o fito de contribuir transversalmente para as melhoras do nosso país (indissociável dos homens..) deve ser abraçada, pois somos aquela geração que foi submetida e reduzida ao "carneirismo" de uma só direcção porque a cobiça e toda uma ordem de subversão do ser humano digno e aspirante da felicidade plena anda involuntariamente a deriva...
O cruzamento de ideias e atitudes proactivas sustentados pelos valores que alicerçam os seres é uma espécie de água potável para todos viverem com a garantia da própria vida futura...
Este blogue (e outros com o mesmo propósito) é mais um recurso para o realinhamento do rico mosaico angolano...
Estarei sempre atento e darei o mais vivo contributo para que os resultados sejam práticos...
Agradeço e durmo tranquilo porque sei que muita gente está comigo na busca do despertar dos angolanos....
Saudações minhas»
REGINALDO, Luanda:
«Viva o bloguismo e os seus seguidores!
Viva a liberdade de expressão!
Ai vai o meu: http://www.morrodamaianga.blogspot.com/
Abraços»
ANÓNIMO:
«"Encontrei" hoje este seu/vosso/nosso blogue. Parabéns! Uma lufada de ar fresco em Angola, que não é a minha terra, mas que "infelizmente" descobri nos idos anos 80 ( a tal água do Bengo), portanto sem passado só com o futuro que tarda a chegar, mas que jovens e menos jovens como vocês (e conheço muitos) com certeza lá a farão chegar. Bem hajam pela coragem (desculpem, CORAGEM)».
FERNANDO, Luanda:
«Parabéns pelo blogue! O angolainterrogada tem ideias que ajudam a contribuir para o engrandecimento de um País que todos nos amamos».
